08/03/2016: Emponderamento feminino e a formatura da minha mãe aos 55 anos.

No Espiritismo acredita-se que sim, escolhemos os lares que nascemos, na grande maioria dos casos. Eu cresci ouvindo essa dádiva, pois minha mãe se tornou espírita e nos criou dentro da doutrina, com as máximas de que fora da caridade não há salvação.

Existia alguns problemas na minha família e após 17 anos de casamento meus pais se separaram e para isso foi necessário muita coragem e determinação da minha mãe e de nós filhos, nós continuamos amando o nosso pai e ele sempre será o nosso dragão, mas precisávamos dá força a nossa heroína, que talvez tenha uma alma tão livre que um casamento não a suporte.

Minha mãe sempre falou que precisou deixar de trabalhar por conta dos filhos e foram 5, em uma geração que as mulheres tinham no máximo 3. Algumas vezes a matemática simples de que se fossemos menos as dificuldades seriam menores era óbvia, e a Dona Valdeísa me olhava nos olhos e dizia: - Qual dos seus irmãos você gostaria que não tivesse nascido? E eu calava imediatamente a matemática de filhos x dinheiro, pois com todas as nossas diferenças amo profundamente cada um dos meus irmãos.


Os pivetes já são os netos

Cresci sabendo que minha mãe era Artista Plástica, todos os aniversários da nossa família era ela que decorava, nosso guarda roupa tinha uma sessão para tintas e pincéis, no centro espírita ela trabalhava voluntariamente em grupos de idosos e apoio a gestantes carentes, se formava ali, no seio do espiritismo cristão, uma assistente social, mas ela não tinha diploma e ganhar dinheiro com esse trabalho era difícil.

Mas, pouco a pouco e com o fim do casamento foram surgindo turmas de pintura, em colégios, em ong's e com a internação do meu irmão Tiago, problemas de garganta, no Hospital São José nasceu o trabalho de pintura e artesanato com pacientes Soro Positivos. Ali foi o início de uma árdua trajetória com trabalho Social em Organização Não Governamental.

Nossa família é de Canaan/Mundáu (Trairi), mas nascemos e crescemos em Fortaleza, porém, quando eu tinha 17 anos minha mãe recebeu um convite para coordenar uma Ong no município de Sobral, foi ali que ela voltou a ser remunerada continuamente, porém eu estava no pré vestibular, então, eu e meus irmãos, com 21, 18, 17 e 11 anos ficamos em Fortaleza enquanto ela ia e vinha de Sobral toda semana. Nesse período comecei a estudar Sistemas de Informação na Faculdade Sete de Setembro.

Meu irmão Tiago passou no concurso para o Corpo de Bombeiros e Polícia Militar e meu irmão mais velho começou a trabalhar também.

Pouco tempo depois disso nos chega a notícia que ela tinha passado no vestibular para o curso semi presencial de Administração em Gestão Pública na Universidade Federal do Ceará. Para quem pensa que é moleza, essa mulher estava sempre com o computador das pernas...kkkkk isso quando não estava trabalhando arduamente os Projetos Sociais da RSP (Rede de Solidariedade Positiva), em aulas no SESC Sobral, em Parcerias com o grupo Cáritas e outros que não lembro.

O momento mais hilário dessa trajetória eu considero que foi justamente o final, ano passado durante o resguardo da minha segunda bebê, a Clara, minha mãe estava cursando a última disciplina e o TCC, a última matéria era Matemática Financeira e a dona Valdeísa nunca foi boa nessa área, mas tem dois filhos estudantes de Sistemas de Informação e uma filha que cursa Economia, entre mamadas, e dores do meu resguardo eu tentava ajudar um pouco, mas não tinha como, eu sonhava com essa prova dela, como se fosse comigo, a minha irmã Maria também tentava ajudar, meu irmão João também, acho que todo mundo cursou um pouco dessa disciplina e no final quase reprovamos junto com ela, porém ela PASSOU! Ufa.

A vida de uma mulher é extensa, não somos mais mães e não apenas trabalhadoras e muito menos os duas coisas juntas, pois elas coexistem entre si, não há exemplo maior para os filhos do que vê seus pais estudando, trabalhando e praticando o bem. Essas máximas são as que me guia, e que mesmo desejando ter os mesmos 5 filhos, nunca deixo de trabalhar após as licenças maternidades, faço isso sem um pingo de sofrimento, pois essa mulher, minha mãe, me ensinou tanto o quanto é ruim não trabalhar como é divinal exercer nossas potencialidades economicamente. 

E ontem, foi o grande dia dela, de ter um diploma a mais, uma emoção a mais, e um grande momento para a nossa família. Parabéns minha guerreira, espero que todas as reencarnações possíveis eu esteja por perto da senhora. Te amo muito e obrigada por tudo.


Na nossa varandinha no Conjunto dos Bancários


Com o vô Xandu


Tia Valdenia, que sempre foi uma grande aliada em toda essa jornada, estou sem fotos aqui, mas também deixo meus agradecimentos a tia Vauberlene, que além de sempre cozinhar tão bem para nós, foi sempre uma irmã maravilhosa para ajudar a D. Valdeísa nessa jornada.



Não é incrível, uma avó comprando doces para os netos no dia de sua formatura?


Maria


João e Maria e os netos da dona Valdeísa e o do sr. Alfredo





Com a tutora Christiane



Nangela, esposa do meu irmão mais velho, mais um anjo em nossas vidas




Na ordem da foto: Eu, Maria, mãe, Paulo Sérgio, João e Tiago


A Clara com certeza veio para tornar esse laço mãe-filha-avó ainda mais nobre.


Um comentário:

Vauberlene disse...

Belíssima a trajetória de sua mãe, e olha que está só começando. Daqui a pouco tempo comemoraremos o mestrado e quem sabe um doutorado se depender do entusiasmo. Que todos estes conhecimentos e conquistas continuem sendo para a conquista do bem em favor dos nossos semelhantes.